Quando os políticos invocam o Detroit 3 como referência da manufatura americana, os dados de importação da S&P Global para 2025 contam uma versão diferente. A General Motors importou 1.170.480 veículos para os Estados Unidos no ano passado, sendo 388.280 deles provenientes de fábricas na Coreia do Sul. Esse total supera o volume de importações da BMW nos EUA em mais de cinco vezes e fica atrás da Toyota por apenas 22.489 unidades.
As marcas comercializadas como os carros mais americanos da América são, coletivamente, os maiores importadores de veículos fabricados no exterior para o mercado americano.
As importações da Ford em 2025 totalizaram 378.123 veículos, uma participação de 17% dos 2,2 milhões que vendeu em todo o país. O Maverick, Bronco Sport e Mustang Mach-E fabricados no México respondem por grande parte desse volume, junto com o Lincoln Nautilus fornecido da China. A Stellantis importou 513.893 unidades e vem transferindo parte da montagem para os EUA, incluindo a produção do Jeep Compass para Illinois.
A concentração coreana da GM é o detalhe mais notável. O Chevrolet Trax, Trailblazer, Buick Envista e Encore GX chegam todos de fábricas sul-coreanas. Apesar das tarifas do governo Trump aumentarem o custo dessas importações, a GM está comprometendo US$ 600 milhões para expandir a capacidade de produção na Coreia. A empresa também está adicionando produção nos EUA, mas os executivos reconhecem que reformar fábricas e reestruturar cadeias de suprimentos leva anos, não trimestres.
Em contrapartida, a Tesla não importou nenhum veículo para os EUA em 2025 e possui a maior proporção de conteúdo norte-americano entre os fabricantes de alto volume. A marca mais associada à disrupção da velha ordem de Detroit é, por essa métrica específica, também a sua fabricante mais doméstica.
Ranking de importações para os EUA em 2025 (S&P Global): Toyota 1.192.969 | GM 1.170.480 | Hyundai 1.092.478 | Honda 556.404 | Stellantis 513.893 | VW 452.220 | Nissan 429.451 | Ford 378.123 | BMW 215.078 | Tesla 0.